domingo, 9 de agosto de 2009

Bajofondo . Cristal

Um das minhas recentes paixões musicais. Nada é mais bonito do que as infinitas sensações que as músicas destes artistas provocam num corpo.

Divago pelas horas mortas de uma noite calma. O tempo corre sem se dar por ele, sempre discreto, sempre no seu canto. Vejo numa canção todo um momento, toda uma situação, toda uma vida... Cada instrumento é um sorriso, uma lágrima, um grito ou uma gargalhada. Cada alteração de tom é um abraço, um adeus, um beijo. A vida corre como as horas, discreta, sem deixar que demos por ela. Cada dia é um novo aprender, um novo sentir, um novo pensar. Somos um acumular de experiências que ela nos proporciona. Sinto que esta canção poderia ser uma banda sonora do meu viver. Sinto que dançá-la seria como fazer uma peça de teatro, onde a personagem principal sou eu e o enredo são todos os acontecimentos que me fizeram e fazem ser o que sou e como sou. E a vida é efémera. Estamos aqui, actores desta peça em constante improviso. Não pensamos no frágil que é a nossa existência, no quão pouco nos é garantida. Existimos hoje, amanhã podemos não existir. A vida é efémera. A vida é frágil. A vida é Cristal.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sem Título XI

Os meus pés agarram-se ao chão e a minha mente com eles. Juntos caminham pelo efémero da vida. Um com a física, outra com a fantasia. És o caminho certo, és o fantástico. És magia pura, nascida das mãos de um viver magoado a quem foi partido o coração. Se não posso ir para trás, nem ir para a frente, então, por favor, sê as minhas asas e ajuda-me a voar. Ajuda-me a sentir. Ajuda-me a sobreviver. Sê.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ela IV

Quase que a afogam, os seus pensamentos. Pensa no ontem, pensa no hoje, pensa no amanhã. Não há opção possível, tudo tem o seu quê de perfeito. São incessantes as perguntas que põe a si mesma, como se as pusesse a outrem, acabando por descobrir tristemente que não tem as respostas que procura. Ou tem, mas não quer viver com elas. Ou tem, mas sabe que não são correctas. Esforça-se por criar uma relação simbiótica entre o sentir e o precisar, mas inconscientemente denota em si a incapacidade de o fazer, pelo menos agora. Sabe o que sente, sabe o que precisa, mas não consegue encontrar ambos no mesmo lugar. Algo fez com que tudo assim se tornasse, e ela não sabe o que é. Não sabe se foi ela, não sabe se foi o momento, não sabe se foi a vida. As respostas continuam a não satisfazer a sua sede de evolução, pois simplesmente se tornam num presente e futuro inatingíveis. Interiormente, ela sabe o que deseja e sabe o que é o melhor para si, mas não quer aceitar nenhum desses caminhos. Quer que eles sejam um único caminho. Mas não são. As questões saltitam e ressaltam com uma insistência insaciante. Ela tem as respostas correctas nos recantos da sua consciência. Só não quer aceitá-las.

sábado, 25 de julho de 2009

Herman José . Canção do Beijinho


Ai rapariga, rapariga, rapariga
Que só dizes disparates, disparates, disparates
E tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que p'ra tirar tanta asneira não chegam cem alicates.
Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes
Que isso de dar um beijinho já é um costume antigo
Ai quem te disse, quem te disse, quem te disse
Que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo.

- Ó chega cá...
- Não vou.
- Tu és tão linda...
- Pois sou.
- Dá-me um beijinho...
- Não dou.

Interesseira, convencida, ignorante, foragida,
Sua burra, és a miúda mais palerma, camelóide que eu já vi,
Mas por que raio é que tu queres os beijinhos só p'ra ti?

Ora dá cá um e a seguir dá outro,
Ora dá mais um que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto e é tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho.

Ai rapariga, rapariga, rapariga,
Dás-me cabo do miolo, p'ra te levar com cantigas.
Ai mas que coisa, mas que coisa, mas que coisa,
Diz lá por que é que não és como as outras raparigas.
Quando eu pergunto se elas me dão um beijinho,
Dão-me tantos, tantos, tantos, que parecem não ter fim
E tu agora estás com tanta esquisitice
Que qualquer dia já queres e não sabes mais de mim.

- Dás ou não dás?...
- Não e não.
- Então dou eu...
- Oh! isso não.
- Dá-me um beijinho...
- Não dou não.

Não dás porquê, sua esganada, egoísta, malcriada,
Sua parva, só se pensas que eu acaso tenho a barba mal cortada
E vê lá se tens receio que a boca arranhada.

- Então vá lá...
- Já disse.
- Eu faço força...
- Oh! que parvoíce.
- Dá-me um beijinho...
- Oh! que chatice.

Analfabruta, pestilenta, hipocondríaca, avarenta, bexigosa,
Vou comprar um dicionário que só tenha nomes feios
Que é p'ra eu tos chamar todos até teres os ouvidos cheios.

domingo, 19 de julho de 2009

Momentâneo.

Nunca um momento devia fazer de nós alguém diferente do que somos. Nunca um momento devia ser suficiente para julgar uma pessoa. Nunca um momento deveria ser suficiente. As opiniões criam-se com a investigação. É contra o natural opinar acerca de um assunto sobre o qual nada sabemos, e isso deveria ser aplicável no dia-a-dia, com as pessoas que nos rodeiam. Eu sou o que poucos conhecem, o que muitos adorariam se conhecessem e o que muitos detestariam se conhecessem. Mas sou o que poucos conhecem, e não deixarei que um momento mude o que eles pensam conhecer ou dê a conhecer a outros algo que não é real. O conhecer não pode ser momentâneo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Relações alimentares

Não pude deixar de apontar este fantástico pensamento que ocupou a minha cabeça durante alguns minutos. Os alimentos têm fantásticas relações amorosas e algumas deviam ser salientadas perante a sociedade alimentar. Não queremos que os alimentos desconheçam o que se passa dentro do desenvolvimento da sua espécie e na casa do vizinho do lado, certo? Dei por mim a constatar que existe uma relação fortíssima e impregnada de sensualidade entre o excepcional do ovo estrelado acabadinho de ser desflorado pela frigideira e o inimaginavelmente gostoso pão fresco. É verdade! Aquele misto de frescura do pãozinho com o creme quente (para mim tem, obrigatoriamente, que ser semi salgado e semi apimentado) torna esta relação um bem necessário para os nossos dias. Após pensar no quão VIP esta relação amorosa deve ser dentro da comunidade alimentícia, comecei a tentar recordar-me de mais umas quantas combinações que devem pisar os tapetes vermelhos da Hollywood do mundo da paparoca. Veio-me logo roçar a ideia a bela da banana e o fresco do queijinho flamengo. A banana por si só já emana um glamour de proporções colossais, devido à sua textura suave e sabor característico e meio adocicado, mas o contraste entre esta donzela serena e o robusto do lavrador que é o queijo flamengo, vem a transformar esta relação num puro must. Contudo, toda a gente adora saber fofocas acerca dos casais que parecem perfeitos à primeira vista por se complementarem totalmente. Assim sendo, o melão e o presunto são constantes alvos de pepinos, maçãs, rabanetes, alfaces e nabos de câmara fotográfica em punho, envoltos na ansiedade de descobrir um podre neste casal. No entanto, duvido que exista tal coisa. O melão é um fruto fresco, leve, ensopado e doce. Este é perfeito para qualquer dia de calor. No entanto, veio a encontrar a sua cara metade na perna curada ou salgadinha do Babe. O teor elástico, salgado e gorduroso do presunto encaixa na perfeição com o melão. Uma prova viva de que os opostos se atraem, sem dúvida. Mas estamos a falar de Hollywood! Não pode nunca faltar um escândalo e por isso é necessária uma referência à combinação pão-marmelada-manteiga, que é também um algo indispensável no dia-a-dia de um trabalhador. Tanto a marmelada como a manteiga eram profundas apaixonadas pelo pão, embora por vezes dessem umas voltas com a bolacha. Um dia, a manteiga e a marmelada encontraram-se numa mesa e deram por si a notar no quanto os seus sabores podiam agradar ao paladar humano quando juntos num único pão, e como qualquer homem, o belo do pão não recusou uma ménage. Assim se formou um casal polémico que chocou inúmeras ameixas. São infinitas as combinações que existem no universo alimentar. Algumas são desprezadas pelo seu grau de horribilidade, como o queijo fresco-mel-nozes, que na minha opinião é capaz de despertar o vómito só de imaginar a doçura excessiva e terrível que deve ser. Outra coisa que é de abominar no mundo da Hollywood alimentícia são as transformações às quais certos frutos de submetem. Maçãs Reinetas, por favor não se assem. Bananas, por amor de Deus não se fritem. Uvas, por respeito à Virgem, não se sequem. Até poderia continuar, mas começa a existir uma sensação de certo asco dentro de mim, só de imaginar o quanto estas beldades se arruinam... Será que o Michael não lhes serviu de exemplo?! Mas paremos por aqui. Este é um assunto que ainda tem muito a falar, mas infelizmente já sofri demasiados sentimentos desde que comecei a escrever este post e por isso vou dar descanso ao meu coração, que tanto sofre de tristeza ou felicidade ao pensar nestas relações.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Zero7 . Passing By



I don't think you love me
Confusion settling in
I don't think I'll be staying
Around here, anymore

There's no question that I love you
But I'm living in my own time
And here I am debating
Whether I'm wrong, or right

Who am I
To make a judgement of
Your life
I'm only
Passing by
Passing by

All the promises I gave you
Helped me to survive
And all the times I wished you'd save me
You were the love of my life

Who am I
To make a judgement of
Your life
I'm only
Passing by
Passing by

Who am I
To make a judgement of
Your life
I'm only
Passing by
Passing by

Who am I
To make a judgement of
Your life
I'm only
Passing by
Passing by

I'm only passing by ...